terça-feira, 10 de junho de 2014

Faz hoje 42 anos que nos levaram para a guerra...

....mas nós sempre fomos
e continuaremos a ser
gente de paz
amigos
companheiros
camaradas
irmãos.
*


Em homenagem aos tantos camaradas 
que perdemos numa guerra inútil, 
aqui vos deixo este poema dum grande amigo, 
que também passou "férias" em África:


*
- Carlos Luzio, Pescador de Sonhos, ex-alferes miliciano em Moçambique, meu conterrâneo e Amigo de sempre, que não quis morrer lá longe e acabou por se ir embora de aqui tão perto.
Guardo do tempo em que o Carlitos atracou em Mocímboa do Rovuma (setembro de 1970) uma preciosa coleção de cartas, sobretudo em forma dos célebres "bate estradas"... 


...que ele me ia enviando do endereço postal militar (SPM), cujo código servia para impedir que o tenebroso inimigo soubesse onde a malta estava a derramar a juventude.
Num rasgo único de fidelidade à Pátria e aos segredos militares, o Carlitos identificava-se assim no remetente:
Silvestre Rojo Sommell
Alferes Miliciano
SPM 1904

Acredito piamente que foi esse disfarce que o safou da merda que era levar com uma mina nos tomates.
Chegado a Mocímboa do Rovuma, na fronteira com a Tanzânia, onde todos os dias cheirava a pólvora, emboscadas e minas, este nosso camarada e companheiro ajudou a construir o acampamento militar:
"Parece um circo, um autêntico circo. 
Barracas de lona, luz eléctrica e palhaços, muitos palhaços, 
a começarem pelo capitão."

O meu grande Amigo de toda a vida foi de abalada em 27/9/2005, que a guerra da vida não quis a paz com ele.
Pouco depois da sua morte, um grupo de Amigos (Emília Aires, Milton Costa, Óscar Santos e Sérgio M. Ferreira) lembrou em livro os poemas do Pescador de Sonhos, o que  todos fizemos